14 minutos de leitura

Compartilhe com seus amigos!

Capital paranaense é o “Vale do Silício” brasileiro e vamos mostrar o porquê

 

Não é de hoje que Curitiba é considerada uma cidade à frente do seu tempo. Vanguardista, desde a década de 1970 é uma referência em urbanismo, mobilidade, sustentabilidade e ecologia. Com reconhecimento e prêmios no Brasil e no exterior, passou a ser chamada de “cidade modelo”. Esse DNA fértil, propício a criar coisas novas, faz com que hoje a capital paranaense seja um ícone também no mercado de inovação e empreendedorismo digital.

 

Curitiba é mais uma cidade, como outras dezenas ao redor do globo, que trabalham para criar um ambiente propício e fértil para a inovação. Um centro que também acabou influenciado pela explosão das startups e empresas disruptivas, uma cena que reúne muitas cabeças pensantes em busca de novas soluções, produtos e serviços.

 

O modelo a ser seguido é o do Vale do Silício, a grande “meca” deste tipo de negócio, localizado na baía de São Francisco, na Califórnia-EUA. Não por acaso, já que foi ali que surgiram e se estabeleceram gigantes como Apple, Google, Facebook, Uber, Netflix e tantas outras. É o berço da inovação e do empreendedorismo, aliando educação de ponta (universidades como Stanford, Berkeley e Caltech estão ali), capital humano de qualidade e investimentos altos.

 

A “fórmula mágica” do Vale não é segredo, tanto que espelhou outra potência atual da tecnologia, que é a região de Silicon Wadi, em Israel. É também a linha que busca ser seguida por Curitiba, em suas devidas proporções, para continuar se desenvolvendo e um dia alcançar o nível de excelência e referência como são os exemplos estrangeiros.

 

 

Um dos princípios para isso é não viver apenas dos louros do passado, é preciso ir além do rótulo de “capital modelo” e se modernizar. E isso foi feito de forma mais clara com a criação do chamado “Vale do Pinhão”: uma série de ações que visa fomentar a indústria de inovação na cidade, inspirada no Vale do Silício – inclusive no nome.

 

O Vale curitibano surgiu da união da prefeitura com aceleradoras, incubadoras, universidades, fundos de investimentos, centros de pesquisa, startups e movimentos culturais criativos. Porque não basta apenas esperar, é preciso arregaçar as mangas e dar condições para que o mercado se desenvolva. E o sinal verdade foi dado.

 

Para tanto, cinco pilares foram definidos para sustentar esse crescimento de Curitiba na busca de se tornar um dos maiores, se não o maior, centros do Brasil – e desbancar outros polos importantes como Belo Horizonte-MG, Florianópolis-SC e Recife-PE. São eles “Educação e Empreendedorismo”, “Reurbanização e Desenvolvimento”, “Fomento Fiscal”, “Integração e Articulação” e “Tecnologia”.

 

“À medida que recebíamos feedbacks de integrantes do chamado ecossistema empreendedor (startups, universidades, grandes empresas, entidades de classe e aceleradoras), o conceito do Vale se expandiu para toda a cidade e foi estruturado em cinco pilares”, explica Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba, órgão da prefeitura que é responsável pelas políticas voltadas à área de inovação e empreendedorismo.

 

De um lado, a educação possui um papel fundamental nessa ideia de “capital inovadora”. Não apenas com as universidades, mas também outras entidades como escolas de inovação, coworkings e demais coletivos que atuam na organização de cursos, pesquisas, palestras e eventos que auxiliam na criação de um ecossistema rico e diversificado.

 

É por meio desse movimento educacional que novas mentes, e, consequentemente, novas ideias surgem. É fomentando a criação e a troca de conhecimento, nas mais variadas áreas, que o projeto vai para frente. A educação é a base de tudo.

 

De outro lado, para atrair empresas e investidores, talvez apenas a beleza da capital paranaense não fosse suficiente. Por isso, além de formar um ambiente produtivo, fértil e qualificado no que se refere a recursos humanos, foram desenvolvidos também incentivos fiscais e benefícios para para trazer esse capital de outros lugares. Somado a isso, para 2019, a prefeitura anunciou o aporte de R$ 10 milhões em um fundo municipal de inovação.

 

O esforço está sendo feito de várias maneiras. O maior fruto dessas ações, sejam elas do governo, de empresas, empreendedores ou dos próprios profissionais, é a forma como influenciam não apenas o próprio mercado. Muito mais do que resultarem em melhores condições para startups evoluírem, a sociedade como um todo sente esse reflexo de alguma forma.

 

Afinal, com mais oportunidades, mais startups, com mais soluções necessárias para a população, são tiradas do papel; mais empregos diretos e indiretos acabam sendo criados; da mesma forma, aumenta-se a procura por qualificação – seja ela nas universidades ou em escolas de inovação como a Harve, que oferecem formação específica para as demandas da área. A roda da economia acaba girando.

 

 

O reconhecimento de tudo isso também é importante, valoriza o que é feito e motiva para que o movimento empreendedor da “Terra das Araucárias” tenha continuidade. E isso se deu, por exemplo, com a premiação concedida em 2018 pelo Connected Smarts Cities a Curitiba como a “cidade mais inteligente” do Brasil – superando São Paulo. Foram considerados indicadores como tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança e empreendedorismo para definir a vencedora do prêmio.

 

Outro feedback positivo foi obtido por meio de uma avaliação realizada pelo Movimento 100 Open Startups também em 2018, que apontou que das 100 startups mais atraentes para o mercado, dez são de Curitiba. Tudo isso em um universo de 6,4 mil empresas analisadas.

 

Além disso, duas empresas baseadas em Curitiba foram reconhecidas pelo LinkedIn Top Startups de 2018 e estão no ranking das 25 empresas mais desejadas por profissionais no Brasil: Ebanx e Contabilizei. Uma marca que coloca as empresas curitibanas em questão em evidência, de forma mais efetiva, e atrai holofotes para as demais.

 

Não se tratam apenas de prêmios e troféus, mas de provas de que Curitiba é um dos grandes cenários de inovação e empreendedorismo do país. São sinais de que o trabalho que vem sendo realizado pelas empresas e o apoio dado pelo governo está no caminho certo, incentivando a criação e o investimento em novas startups no polo curitibano nos próximos anos.

 

Se em décadas passadas Curitiba chamava atenção pela inovação no modelo de transporte público, seus tubos de ônibus e urbanização, hoje pode ser chamada de “capital modelo” também pelo mercado de empreendedorismo estabelecido em terras paranaenses. O Vale do Pinhão quer ser o Vale do Silício brasileiro.

 

Conheça agora cinco startups que nasceram em Curitiba e hoje são bem sucedidas, atendendo milhares de clientes no Brasil e no mundo:

EBANX

Quando se fala em startup e inovação em Curitiba, é praticamente impossível não lembrar desta empresa. Se fosse para concorrer a prêmio, com certeza seria “Top Of Mind”. E se você não lembrar logo de cara, certamente seu extrato bancário fará o serviço de lembrá-lo. Facilitou? Claro que se trata do EBANX.

 

Fundada em 2012 por três sócios curitibanos, o EBANX tem como objetivo conectar clientes brasileiros e latino-americanos e empresas internacionais que fazem algum tipo de venda pela internet. Tudo isso por meio de métodos de pagamento locais, que possibilitam que essas transações sejam realizadas de forma prática e segura para ambas as partes.

 

 

Ela é, hoje, uma das grandes fintechs (startups que trabalha para desenvolver soluções na área financeira) do país. E não é por acaso: o primeiro indício de que o negócio iria longe se deu logo no segundo ano de existência, quando o gigante chinês AliExpress passou a utilizar a solução curitibana para possibilitar o pagamento de seus clientes no Brasil. E, realmente, foi apenas o primeiro grande passo.

 

De lá para cá, o EBANX já permitiu que mais de 40 milhões de pessoas da América Latina efetuassem compras em sites internacionais e que mais de 500 lojas virtuais se conectassem com este grande mercado latino – entre elas, players como Spotify, Airbnb, Wish e Udacity.

 

Para dimensionar um pouco melhor o tamanho do EBANX, basta analisar as metas para 2019 – que não são nada pequenas: atingir a marca de R$ 5 bilhões em pagamentos realizados por meio da solução e dos mil funcionários, espalhados entre as seis unidades da empresa (Curitiba, São Paulo, Montevidéu, Londres, Cingapura e São Francisco).

 

É pouco ou quer mais?!

 

CONTABILIZEI

Se um dos principais pilares de qualquer startup é inovar para oferecer soluções para problemas cotidianos, explica-se o porquê do sucesso da curitibana Contabilizei no mercado brasileiro. Afinal, qual empreendedor nunca teve que “quebrar a cabeça” e lidar com problemas ligados à contabilidade?

 

Essa é a pegada da Contabilizei, empresa criada por dois sócios em Curitiba e que começou a operar em 2014 com o objetivo de democratizar os serviços de contabilidade no Brasil. Tudo isso propondo uma verdadeira contabilidade online.

 

Ela surgiu juntando “a fome com a vontade de comer”, uma vez que toda empresa no país necessita de uma contabilidade para poder operar legalmente e, em contrapartida, trata-se de um serviço burocrático e bastante oneroso para muitos negócios – especialmente os pequenos.

 

A solução se deu por meio da tecnologia, aliando atendimento online à automatização dos processos. Isso possibilita à Contabilizei oferecer pacotes de serviços com valor até 90% abaixo dos ofertados pelas tradicionais contabilidades, além de conseguir escalar esse atendimento – hoje, já são mais de 10 mil empresas clientes.

 

A disrupção em um mercado tão tradicional e burocrático como o contábil é reconhecido não apenas pelos empresários que optam pela Contabilizei para tratar dos seus negócios, mas também pelos investimentos recebidos pela startup nesses cinco anos de operação e também premiações, como a escolha como a “Melhor B2B” no Annual Awards Gala de 2016 e ao integrar a lista do LinkedIn Top Startups em 2018.

 

MADEIRAMADEIRA

O mercado da inovação também permite algumas transformações no meio do caminho. Transformações essas que podem fazer uma empresa já conhecida e consolidada “mudar de patamar”. Esse é o caso da MadeiraMadeira, empresa que começou como um ecommerce e hoje é, além da maior loja de produtos para casa, também um negócio de tecnologia que desenvolve e comercializa softwares.

 

A trajetória começou em 2010 com a ideia de dois irmãos de comercializarem produtos para casa pela internet diretamente aos consumidores finais.  Materiais para construção e decoração, móveis, ferramentas… hoje são mais de 300 mil produtos ofertados pela MadeiraMadeira, que atingiu esse tamanho ao mudar algumas estratégias e passar a trabalhar como um marketplace no decorrer do tempo.

 

Os números são expressivos: as 500 entregas mensais que haviam em meados de 2015/2016, após essa mudança, se transformaram em 40 mil. Hoje são 5 mil por dia! Já são mais de 800 mil clientes atendidos pela MadeiraMadeira. A evolução, mensurada também pelo crescimento de 85% no faturamento em 2016, fez com que a empresa projetasse chegar ao primeiro bilhão em 2019.

 

 

Mas não era suficiente, o crescimento ainda poderia acontecer por outros meios. Ele se deu com o investimento em desenvolvimento de soluções como a Rede Home, lojas físicas do grupo, e também com a criação de softwares diversos, como gestão de estoque, logística e soluções de pagamento.

 

 

A “nova cara” da MadeiraMadeira fez com que a empresa ampliasse seus horizontes. Apostando na diversificação, que vai do ecommerce ao desenvolvimento, ela é um dos grandes exemplares de startups curitibanas bem sucedidas.

 

PIPEFY

Outro exemplo de startup curitibana que cresceu no ambiente criativo fértil da capital paranaense e ganhou o mundo é a Pipefy, solução completa focada em gestão de equipes que tem como objetivo permitir que se controle as atividades dos colaboradores, padronize-as e faça o acompanhamento do processo por meio de relatórios. De forma fácil e prática, claro.

 

Os primeiros passos da Pipefy foram dados ainda em 2013, quando seu fundador começou sua pesquisa e imersão no mundo empresarial em busca do mapeamento das necessidades que essas empresas tinham no que se refere em gerenciar seus times e tarefas. Em meio a planilhas e mais planilhas, o nível baixo de organização e eficiência fez com que enxergasse um grande potencial de mercado.

 

E o negócio virou. Apostando em uma ferramenta SaaS (Software as a Service), a Pipefy é utilizado hoje por mais de 15 mil empresas em 140 países. Entre os clientes da startup curitibana, estão grandes players como Volvo, Santander e IBM.

 

O sucesso da Pipefy também pode ser visto pelos índices de crescimento, que atingem marcas destacáveis de 300% ao ano. Não por acaso, recentemente recebeu um aporte de 45 milhões de dólares (aproximadamente R$ 170 milhões) em uma rodada de investimentos.

 

Com isso, a perspectiva para o futuro da empresa que ainda mantém sua sede em Curitiba, mas que também possui escritório no Vale do Silício, é apenas um: crescer ainda mais.

 

 

OLIST

“É uma grande loja de departamentos dentro dos marketplaces, formada por milhares outras de lojas espalhadas por todo o Brasil”, essa é a autodefinição da startup “caçula” entre os cinco exemplos apresentados – mas não por isso menos importante e relevante no mercado de inovação de Curitiba. Estamos falando do Olist!

 

Este é mais um entre os vários cases de sucesso em que a persistência e a vontade de fazer acontecer foram fatores primordiais para que o negócio desse certo. Foi o que fez com que seu fundador chegasse à “fórmula de sucesso” do Olist: ser uma empresa que possibilita que pequenos lojistas consigam ter espaço e vender em grandes marketplaces.

 

A primeira semente foi plantada em 2007, quando seu fundador abriu uma loja física com o objetivo de vender produtos fabricados por artesãos, a Solidarium. Neste primeiro momento, não deu certo. Mas, sem desistir, enxergou a oportunidade de de alterar o modelo de negócio para vender mais: não vender os produtos em sua loja própria, mas em grandes redes de lojas, já estabelecidas e que possuem milhares de clientes.

 

Conseguiu entrar na rede Walmart e, mais adiante, em outras como a Tok&Stok e a Renner. Mas ainda não era a “fórmula mágica” pois a operação era toda física, envolvia todo o processo de separar e entregar os produtos nas lojas das redes para serem vendidos fisicamente em cada uma delas. Esse gargalo logístico impossibilitava o escalonamento do negócio.

 

A solução? Partir para o meio digital, onde grandes players como o próprio Walmart já atuam com suas lojas virtuais e marketplaces. Foi aí que o modelo de negócio da Solidarium foi adaptado e surgiu a Olist: uma grande loja de departamentos online que atua dentro de marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Submarino, Americanas.com e Shoptime ofertando produtos  de lojistas menores que buscam ter mais vendas dentro dessas grandes plataformas.

Essa solução traz benefícios às três partes envolvidas, pois possibilita que as lojas virtuais tenham maior variedade de produtos disponíveis à venda, que os pequenos lojistas possam vender mais utilizando essa maior exposição dos marketplaces e, claro, ao próprio Olist – que monetiza por meio das mensalidades dos vendedores e da porcentagem recebida em cada venda.

 

 

Quer saber mais sobre as nossas formações? Entre em contato com a gente:

 

Compartilhe com seus amigos!

Deixe uma resposta